Dirigir representa muito mais do que uma forma de deslocamento para muitas pessoas idosas, pois está diretamente relacionado à independência e à liberdade de realizar atividades cotidianas. O Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, possui formação em uma área que considera a preservação da autonomia durante o envelhecimento. Entretanto, mudanças na visão, nos reflexos e na capacidade de atenção podem comprometer a segurança ao volante. Diante dessas situações, surge uma questão delicada: quem possui autoridade para determinar quando uma pessoa idosa deve deixar de dirigir? A resposta envolve avaliações médicas, critérios legais e o respeito aos direitos individuais.
Existe uma idade máxima para continuar dirigindo? Confira com o Doutor Yuri Silva Portela
No Brasil, a legislação de trânsito não estabelece uma idade máxima para dirigir. O Código de Trânsito Brasileiro determina, entretanto, prazos diferentes para a renovação da Carteira Nacional de Habilitação conforme a faixa etária. Para condutores com 70 anos ou mais, a validade regular é de três anos, podendo ser reduzida conforme os resultados da avaliação médica.
Como pontua o Doutor Yuri Silva Portela, essa diferenciação não significa que todas as pessoas idosas apresentem dificuldades para conduzir veículos. O envelhecimento acontece de maneira individual, e pessoas da mesma idade podem apresentar condições físicas e cognitivas bastante diferentes. Por isso, a avaliação da aptidão para dirigir precisa considerar capacidades específicas, e não apenas a idade registrada no documento.
A decisão administrativa sobre a habilitação cabe aos órgãos de trânsito, com base nos procedimentos legais e nas avaliações realizadas por profissionais habilitados. Familiares podem identificar dificuldades e recomendar uma avaliação, mas não possuem autoridade para cancelar a habilitação por conta própria. Essa distinção ajuda a preservar direitos sem desconsiderar os riscos envolvidos.

Quais sinais indicam que dirigir pode estar ficando perigoso?
Algumas alterações relacionadas à saúde podem interferir diretamente na capacidade de conduzir veículos. Dificuldades para enxergar placas, perceber obstáculos, movimentar o pescoço ou reagir rapidamente a situações inesperadas merecem atenção. Entretanto, esses sinais não significam automaticamente incapacidade permanente, pois determinadas limitações podem ser corrigidas ou compensadas.
Outro aspecto envolve mudanças cognitivas, especialmente dificuldades de orientação espacial, atenção e julgamento. Episódios frequentes de desorientação em trajetos conhecidos, confusão diante da sinalização ou acidentes recorrentes podem indicar a necessidade de investigação. Conforme o Doutor Yuri Silva Portela, também é importante observar os efeitos de medicamentos que provocam sonolência, tontura ou redução do estado de alerta.
A família pode impedir um idoso de dirigir?
A preocupação dos familiares costuma surgir quando aparecem comportamentos considerados perigosos, como pequenas colisões, dificuldades para estacionar ou episódios de desorientação. Entretanto, retirar as chaves do veículo sem diálogo pode provocar conflitos e sentimentos de perda de independência. A maneira como o assunto é abordado influencia a disposição do idoso para reconhecer possíveis limitações, especialmente quando dirigir representa uma parte importante de sua rotina e identidade pessoal.
O primeiro caminho consiste em conversar sobre situações concretas, evitando julgamentos baseados exclusivamente na idade. Relatar episódios específicos e propor uma avaliação profissional pode ser mais produtivo do que estabelecer proibições imediatas. Quando existem sinais importantes de comprometimento, a segurança precisa receber atenção prioritária, inclusive com a recomendação de não dirigir até que a situação seja esclarecida. De acordo com o Doutor Yuri Silva Portela, esse cuidado permite tomar decisões fundamentadas em condições reais de saúde, e não apenas em preocupações familiares.
É necessário compreender, contudo, que a capacidade de tomar decisões pessoais não desaparece automaticamente com o envelhecimento. Mesmo diante de dificuldades físicas, muitos idosos preservam plenamente sua autonomia. Assim, a participação familiar deve buscar proteção e orientação, respeitando os limites legais e a necessidade de avaliação individualizada. O diálogo também pode facilitar a construção de alternativas que preservem a mobilidade e a participação do idoso nas atividades cotidianas.
