O sistema subterrâneo começou a ser explorado de forma sistemática em 1938, quando Franco Anelli desceu pela Grave. As investigações prosseguiram com Vito Matarrese, que mais tarde alcançou a Grotta Bianca, hoje ponto final do percurso completo de três quilômetros.
A cerca de 1,5 quilômetro do centro de Castellana Grotte, o terreno se abre em uma grande cavidade conhecida como Grave. Com aproximadamente 60 metros de profundidade, ela é o único ambiente do sistema naturalmente conectado ao exterior e marca o início de um percurso que atravessa corredores, abismos e formações calcárias até chegar à Grotta Bianca.
É essa Puglia subterrânea que Antonella Giancoli, da Benarrivati, inclui nos roteiros pela região. A visita contrasta com as imagens mais conhecidas do território, como oliveiras, masserias, cidades brancas e praias, e apresenta uma paisagem formada pela ação da água sobre o calcário durante um processo geológico de milhões de anos.
A exploração começou na Grave em 1938
Em 23 de janeiro de 1938, o espeleólogo Franco Anelli chegou a Castellana a pedido do órgão provincial de turismo de Bari, que buscava avaliar cavernas da região com possível interesse turístico. Depois de examinar outras cavidades, Anelli desceu até o fundo da Grave e encontrou uma passagem baixa que conduzia a uma caverna muito maior, posteriormente chamada de Caverna dei Monumenti.
Dois dias depois, ele retornou acompanhado de Vito Matarrese, trabalhador de Castellana que teria papel decisivo nas explorações seguintes. A dupla avançou cerca de 300 metros pelo sistema e, nos meses posteriores, conseguiu alcançar aproximadamente 600 metros a partir da entrada.
A Grotta Bianca, portanto, não foi descoberta por Anelli durante a primeira descida. Depois da partida do espeleólogo, Matarrese continuou explorando as galerias, conseguiu ultrapassar o grande obstáculo do Corridoio del Deserto e chegou à cavidade que se tornaria o ponto mais conhecido do sistema.
Um subterrâneo aberto pela água no calcário
As Grotte di Castellana se desenvolvem sob o planalto calcário das Murge sudorientais. As rochas da área se formaram durante o Cretáceo Superior, aproximadamente entre 90 e 100 milhões de anos atrás, quando essa parte da atual Puglia estava coberta pelo mar. Isso não significa que as cavernas tenham a mesma idade: elas surgiram posteriormente pela dissolução progressiva do calcário.
A água da chuva penetrou por fraturas na rocha, dissolvendo lentamente o carbonato de cálcio e ampliando passagens subterrâneas. Colapsos sucessivos ajudaram a criar ambientes maiores e, na área da Grave, o desmoronamento da camada superior acabou abrindo a grande comunicação com a superfície.
No interior, a deposição de calcita formou estalactites, estalagmites, colunas, cortinas e outras concreções. Os primeiros exploradores deram nomes a muitas delas de acordo com aquilo que suas formas lhes sugeriam, criando referências como a Lupa, a Civetta, a Torre di Pisa e o Corridoio del Deserto.
Três quilômetros até a Grotta Bianca
Atualmente existem dois percursos principais abertos à visitação. O trajeto parcial tem cerca de um quilômetro e dura aproximadamente 50 minutos. O completo se estende por três quilômetros, leva em torno de 100 minutos e chega à Grotta Bianca.
A cavidade recebeu o nome pela abundância e pela coloração clara de suas formações de alabastro. O contraste com as galerias atravessadas anteriormente faz dela o encerramento mais marcante do percurso longo.
A temperatura subterrânea permanece relativamente estável ao longo do ano, atualmente indicada pelo complexo em torno de 16,5 graus, embora haja pequenas variações entre os ambientes. O trajeto possui trechos úmidos e escorregadios, e a administração recomenda calçados adequados. O percurso completo não é recomendado para gestantes e pessoas com mais de 70 anos.
Por que Antonella inclui as grutas no roteiro
Para Antonella, a visita funciona justamente porque apresenta uma Puglia inesperada antes ou depois dos dias dedicados às paisagens mais reconhecíveis da região.
“Quando pensamos na Puglia, quase sempre imaginamos o que está na superfície. Nas Grotte di Castellana acontece o contrário: começamos olhando o céu pela abertura da Grave e, pouco a pouco, avançamos para um ambiente completamente diferente. Saber que Franco Anelli iniciou aquela exploração sem conhecer a dimensão do que existia adiante torna o percurso ainda mais interessante, e chegar à Grotta Bianca ajuda a fechar essa história”, explica Antonella Giancoli.
Nos roteiros da Benarrivati, a escolha entre o itinerário parcial e o completo considera o perfil dos viajantes e as recomendações oficiais de acesso. As visitas são guiadas e seguem horários definidos pelo complexo, que permanece aberto ao longo do ano com programação variável conforme a temporada.
Castellana Grotte também ocupa uma posição conveniente para combinar a experiência com Alberobello, Cisternino e outras localidades da Valle d’Itria. Em vez de apresentar apenas outra parada no interior da Puglia, Antonella Giancoli usa as grutas para acrescentar uma escala diferente ao roteiro: sob a arquitetura de pedra e a paisagem agrícola da superfície existe um sistema subterrâneo que começou a revelar sua extensão aos exploradores apenas no século XX.
Sobre a Benarrivati
Fundada e liderada por Antonella Giancoli, a Benarrivati é uma holding de viagens de alto padrão especializada em desenhar jornadas sob medida pelo solo europeu e africano. Com operação própria e equipes de concierges locais, a companhia elimina intermediários para garantir segurança jurídica, transparência financeira e discrição inegociável em cada etapa da experiência. Pautada pela ética do relacionamento e pela valorização do tempo, a Benarrivati transforma a hospedagem em propriedades privadas em uma forma de preservar memórias e legados familiares.O sistema subterrâneo começou a ser explorado de forma sistemática em 1938, quando Franco Anelli desceu pela Grave. As investigações prosseguiram com Vito Matarrese, que mais tarde alcançou a Grotta Bianca, hoje ponto final do percurso completo de três quilômetros.
