Conforme ressalta Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, a sauna é frequentemente associada a países nórdicos e a um estilo de vida que parece distante da realidade do idoso brasileiro médio, mas os dados científicos acumulados nas últimas duas décadas sobre seus efeitos cardiovasculares e sobre o bem-estar geral tornam essa prática digna de atenção clínica em qualquer contexto geográfico. Para o idoso saudável ou com condições crônicas bem controladas que busca intervenções complementares com impacto real sobre saúde cardiovascular e qualidade de vida, a sauna tem muito mais a oferecer do que a maioria dos médicos comunica.
Aqui, você entenderá o que a ciência demonstra sobre essa prática e quem pode e quem não pode utilizá-la com segurança.
O que acontece no corpo durante uma sessão de sauna?
A exposição ao calor intenso da sauna, tipicamente entre 80 e 100 graus Celsius, desencadeia uma série de respostas fisiológicas que o organismo utiliza para regular a temperatura corporal. O débito cardíaco aumenta significativamente para aumentar o fluxo sanguíneo para a pele, onde o calor é dissipado. Os vasos sanguíneos periféricos se dilatam para facilitar esse processo. A frequência cardíaca se eleva para suportar o aumento do débito. O resultado é uma resposta cardiovascular que tem características semelhantes às produzidas pelo exercício aeróbico de intensidade moderada.
Como detalha Yuri Silva Portela, esse paralelo com o exercício físico tem implicações clínicas importantes para o idoso com limitação de mobilidade que não consegue realizar atividade aeróbica de intensidade adequada. A sauna oferece uma forma de estimulação cardiovascular que não depende da capacidade motora do paciente, tornando-se particularmente relevante para idosos com osteoartrite grave, insuficiência venosa crônica ou outras condições que limitam a prática de exercício convencional, sempre com avaliação médica prévia.
O que os estudos finlandeses revelam sobre longevidade e saúde cardiovascular?
Os estudos mais robustos sobre sauna e saúde cardiovascular foram conduzidos na Finlândia, onde a prática é parte da cultura há séculos e onde grandes coortes de adultos foram acompanhadas por décadas. Os resultados são notáveis: homens que utilizam sauna quatro a sete vezes por semana apresentam risco significativamente menor de morte por doença cardiovascular, de morte súbita cardíaca e de demência em comparação com aqueles que a utilizam apenas uma vez por semana, com relação dose-resposta clara entre frequência de uso e magnitude do benefício.

Na avaliação de Yuri Silva Portela, esses dados epidemiológicos não provam causalidade isolada, pois usuários frequentes de sauna podem ter outros hábitos saudáveis associados, mas são consistentes com os mecanismos fisiológicos documentados e suficientemente robustos para justificar a recomendação da prática como componente de um estilo de vida saudável para idosos sem contraindicações.
Pressão arterial, relaxamento e sono: benefícios adicionais documentados
Além dos efeitos cardiovasculares de longo prazo, a sauna produz benefícios imediatos sobre a pressão arterial, o relaxamento muscular e a qualidade do sono, que têm valor clínico direto para o idoso. A vasodilatação periférica produzida pelo calor reduz a resistência vascular e, consequentemente, a pressão arterial por horas após a sessão. O relaxamento muscular profundo produzido pelo calor alivia tensões crônicas que contribuem para a dor musculoesquelética. A elevação da temperatura corporal seguida de seu resfriamento gradual favorece o início do sono de forma análoga ao que ocorre naturalmente à noite.
Conforme aponta Yuri Silva Portela, estudos com idosos hipertensos demonstram reduções modestas mas consistentes da pressão arterial em repouso após programas regulares de sauna, sugerindo um benefício complementar ao tratamento farmacológico que merece ser considerado no plano de cuidado do idoso com hipertensão bem controlada.
Quem pode e quem não pode usar sauna com segurança?
A sauna é contraindicada em idosos com insuficiência cardíaca descompensada, angina instável, arritmias não controladas, pressão arterial muito elevada sem controle adequado e em qualquer condição que comprometa a capacidade do organismo de regular a temperatura corporal. Idosos com essas condições não devem iniciar o uso de sauna sem avaliação médica específica e autorização explícita do médico que os acompanha.
Conclui Yuri Silva Portela que, para o idoso saudável ou com condições crônicas bem controladas, a sauna representa uma intervenção com perfil de segurança favorável e benefícios cardiovasculares, musculoesqueléticos e de bem-estar que a medicina geriátrica poderia recomendar com muito mais frequência. Começar com sessões curtas de dez a quinze minutos, sempre com hidratação adequada antes e depois, é a forma mais segura de introduzir essa prática na rotina do idoso que nunca a utilizou antes.
