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Início » O setor que não pode parar: Tiago Schietti analisa a gestão de crises e a resiliência operacional das funerárias brasileiras
Tiago Schietti
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O setor que não pode parar: Tiago Schietti analisa a gestão de crises e a resiliência operacional das funerárias brasileiras

Diego VelázquezPor Diego Velázquezjunho 2, 20265 Min de leitura
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Tiago Schietti parte de uma premissa simples, mas poderosa: as funerárias não têm o luxo de pausar. Diferente de outros segmentos da economia, o setor funerário opera sob uma demanda que não recua diante de pandemias, desastres naturais ou colapsos logísticos. A capacidade de manter a operação funcionando em qualquer circunstância não é apenas um diferencial competitivo, é uma obrigação ética e sanitária. 

Nas próximas linhas, você vai entender o que significa construir resiliência operacional no setor funerário, quais são os principais desafios de gestão em momentos de crise e por que investir em preparo é tão urgente quanto investir em estrutura. Aprofunde sua leitura e descubra o que separa as empresas que sobrevivem às crises das que são engolidas por elas.

O que significa resiliência operacional para uma funerária?

Resiliência operacional, no contexto funerário, vai muito além de ter estoque de insumos ou equipe suficiente. Trata-se da capacidade de manter padrões de qualidade, dignidade e segurança sanitária mesmo quando o ambiente externo se torna adverso e imprevisível. Como aponta o especialista em gestão cemiterial, Tiago Schietti, as empresas que constroem essa resiliência de forma planejada respondem às crises de maneira estruturada, enquanto aquelas que operam no improviso tendem a colapsar justamente quando a sociedade mais precisa delas.

Construir essa capacidade exige um olhar sistêmico sobre a operação. Processos bem documentados, equipes treinadas para situações de alta demanda, fornecedores alternativos mapeados e protocolos claros de contingência são elementos que fazem a diferença entre uma empresa preparada e uma empresa vulnerável. No setor funerário, a vulnerabilidade operacional nunca é apenas um problema empresarial; ela se converte, inevitavelmente, em um problema humano e coletivo.

A pandemia como laboratório de resiliência

Nenhum evento recente testou tanto o setor funerário quanto a pandemia de Covid-19. O aumento abrupto da demanda, a escassez de insumos, as restrições logísticas e a necessidade de adaptar protocolos sanitários em tempo real expuseram, de forma brutal, as fragilidades de empresas que nunca haviam pensado em gestão de crises.  Tal como revela Tiago Schietti, a pandemia funcionou como um laboratório involuntário de resiliência, separando com clareza as operações estruturadas das que dependiam exclusivamente da rotina para funcionar.

Tiago Schietti
Tiago Schietti

O período também revelou algo positivo: empresas que já investiam em tecnologia, capacitação e planejamento conseguiram se adaptar com mais agilidade. Aquelas que adotaram sistemas digitais de gestão, por exemplo, mantiveram o controle operacional mesmo com equipes reduzidas ou em trabalho remoto. A tecnologia, nesse contexto, deixou de ser um investimento futuro e passou a ser uma necessidade imediata, capaz de determinar a sobrevivência do negócio em meio ao caos.

Quais são os principais pilares de uma gestão de crise eficiente no setor funerário?

A gestão de crise no setor funerário exige planejamento anterior à crise, não durante ela. Empresas que esperam o momento de pressão para começar a organizar seus processos invariavelmente chegam tarde. Tiago Schietti elucida que os negócios mais resilientes são aqueles que tratam o planejamento de contingência como parte da rotina administrativa, revisando e atualizando seus protocolos periodicamente, sem esperar que uma emergência force essa revisão.

Entre os pilares que sustentam uma gestão de crise sólida no setor, destacam-se:

  • Mapeamento de riscos operacionais com atualização periódica, contemplando desde falhas de fornecimento até situações de alta mortalidade;
  • Formação contínua das equipes para atuação em cenários de pressão, com foco em saúde mental e protocolos de segurança;
  • Diversificação de fornecedores de insumos críticos, reduzindo a dependência de uma única cadeia de abastecimento;
  • Adoção de tecnologia de gestão integrada, que permita monitoramento em tempo real e tomada de decisão ágil;
  • Estabelecimento de parcerias interinstitucionais com outros prestadores do setor, criando redes de apoio mútuo em situações extremas.

Esses pilares não eliminam a possibilidade de crises, mas reduzem drasticamente seu impacto sobre a operação e, sobretudo, sobre as famílias atendidas.

De que forma a tecnologia fortalece a resiliência das funerárias?

A tecnologia ocupa um lugar central na construção de operações mais resilientes. Plataformas de gestão integrada permitem que funerárias monitorem em tempo real cada etapa do atendimento, desde a captação do corpo até o sepultamento, garantindo rastreabilidade e controle mesmo em condições adversas. Na perspectiva de Tiago Schietti, empresas que digitalizam seus processos antes da crise chegam a momentos de pressão com uma vantagem decisiva: a capacidade de tomar decisões baseadas em dados, não em intuição.

Ademais, a tecnologia amplia a capacidade de comunicação com as famílias enlutadas, um aspecto frequentemente negligenciado em momentos de alta demanda. Plataformas digitais de atendimento, agendamento online e atualizações em tempo real sobre os procedimentos em andamento reduzem a ansiedade dos familiares e demonstram que a empresa mantém o controle da situação, mesmo sob pressão. Essa comunicação eficiente é, em si mesma, uma forma de resiliência.

Preparo é o único caminho

Diante de tudo o que o setor funerário viveu nos últimos anos, uma conclusão se impõe com clareza: preparo não é opcional, é fundamento. Em síntese, o que o profissional com atuação no segmento de cemitérios, memorialização e serviços funerários, Tiago Schietti, nos convida a refletir é que resiliência operacional não nasce da sorte nem da improvisação. Ela é construída dia a dia, por meio de investimento em pessoas, processos e tecnologia, transformando cada aprendizado em protocolo e cada crise em oportunidade de evolução.

Funerárias que entendem essa lógica não apenas sobrevivem às adversidades; elas saem delas mais fortes, mais organizadas e mais aptas a cumprir sua missão essencial. Afinal, em um setor que não pode parar, a verdadeira medida de uma empresa não está no que ela entrega nos dias tranquilos, mas na qualidade do que oferece quando tudo ao redor desmorona. Dignidade e cuidado não podem ser suspensos, e as empresas que levam isso a sério são as que o mercado, e a sociedade, mais precisam.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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