Endereços se tornam referências quando acontece neles algo que merece ser lembrado. O portão 13 do CEAGESP, na zona oeste de São Paulo, tornou-se uma dessas referências não pelo que o complexo de abastecimento representa economicamente, mas pelo que acontece em suas imediações há mais de vinte anos: crianças de famílias vulneráveis chegando para aprender, crescer e construir perspectivas de futuro que sua origem socioeconômica não lhes garantiria sem a intervenção de Eloizo Gomes Afonso Duraes e da Fundação Gentil Afonso Duraes.
Por que um portão de abastecimento virou portal de oportunidades?
O CEAGESP move bilhões de reais por ano em produtos agrícolas que abastecem São Paulo e diversas outras regiões do país. É um complexo de escala impressionante, com infraestrutura que poucos equipamentos urbanos conseguem rivalizar. O paradoxo é que toda essa movimentação econômica coexiste, nas imediações do complexo, com bolsões de vulnerabilidade social que raramente aparecem nos noticiários sobre o abastecimento da maior cidade da América Latina.
Eloizio Gomes Afonso Duraes percebeu esse paradoxo quando chegou ao Jaguaré em 2003 e decidiu agir sobre ele. O portão 13 tornou-se, ao longo dos anos, o ponto de acesso a um espaço que oferece o que o movimento econômico ao redor não distribui automaticamente: oportunidade concreta de desenvolvimento para as crianças que vivem na sombra desse movimento.

A rotina que acontece por esse portão
Todas as manhãs, das 8h às 11h30, e todas as tardes, das 13h20 às 17h10, de segunda a sexta-feira, crianças chegam pelo portão 13 com a certeza do que as espera. Professores que as conhecem pelo nome. Computadores disponíveis para a aula de informática. O professor de reforço escolar que conhece suas dificuldades específicas. O ensaio do coral ou a preparação do próximo espetáculo de teatro. O atendimento odontológico. A refeição garantida.
Essa previsibilidade acolhedora é, para muitas dessas crianças, a experiência mais estruturante de seu cotidiano. Eloizo Gomes Afonso Duraes criou esse ambiente com intenção, e o portão 13 é o símbolo físico de tudo que esse ambiente representa.
Um endereço que carrega uma história
Para as centenas de crianças que passaram pelo portão 13 ao longo de mais de duas décadas, esse endereço não é um número numa lista de locais visitados. É um ponto de referência em suas próprias histórias de vida, o lugar onde aprenderam que o mundo digital também era delas, onde descobriram que tinham voz no coral e presença no palco, onde receberam o cuidado que todo ser humano merece. Eloizio Gomes Afonso Duraes transformou um portão de abastecimento num portal de possibilidades, e esse é um legado que nenhum mapa de São Paulo consegue dimensionar adequadamente.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
